quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fernando Pessoa foi quantos mesmo?

Nosso gênio da literatura portuguesa, Fernando Pessoa, foi ele e mais 72, como mínimo. De todos esses heterônimos e semi-heterônimos criados são estudados principalmente três: Alberto Caeiro, considerado o mestre, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
Esse primeiro texto tratará daquele que principiou tudo.
FP Na sua poesia trata de emoções, dos estados de espírito, da saudade de algo que não sabe quê, baseando-se muito na teoria de Platão; assim como é saudosista ao falar dos mitos de Portugal; contempla aspectos exotéricos; escreve poemas interseccionistas e também uma poesia cerebral, pensada.
Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, e viveu durante 47 anos. Solitário , direcionou e sublimou toda a sua energia na poesia. Foi chamado de poetodrama, para ele existia esse mistério., uma grande incerteza de tudo. Também produziu muito em língua inglesa.

Um poema.

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com a imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa é nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pode ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conversa sobre o tempo


Ontem, assistindo ao Jô Soares, porque mais uma noite fui dormir tarde, vi que seriam entrevistados o Fernando Veríssimo e o Zuenir Ventura, que escreveram um livro de conversas entre amigos, ou seja, entre eles: Conversa sobre o tempo.

Eu já conhecia a obra, já havia pegado na mão. Uma colega da faculdade contara-me que foi na casa dele pra fazer uma entrevista. Trouxe de lá o livro com que ele a presenteou com uma dedicatória. Isso tudo antes do lançamento.

Fiquei curiosa pra ler aquele texto conversa – bate-papo – entre amigos de anos, que provavelmente já sabem mais ou menos o que um e o outro pensam sobre o que foi tratado no livro.

Contaram no programa do Jô que a ideia foi da editora, que permaneceram durante alguns dias, em um sítio afastado, e que a partir dos assuntos estabelecidos os amigos iam filosofando.

Fico com a curiosidade desta leitura, e compartilho dela com você, leitor. Quem ler primeiro vem aqui e escreve. Combinado?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um pouco de Bocage

Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura,
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.

Se acusas os mortais, e os não obrigas,
Se, conhecendo o mal, não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura;
Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projeto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.

Óleo de Fernando dos Santos -1935

Bocage, que viveu no século XVI, pertenceu primeiramente ao Arcadismo, escrevendo uma poesia bucólica e pastoril, arraigada na métrica e na forma clássica, invocando deuses, utilizando-se da mitologia. Mas ao longo da sua vida, sua arte foi transformando-se. Sua poesia muda de temas, mas seguem as formas e a métrica.
O poema, que temos acima, retrata um momento bem romântico, onde Bocage quer permitir-se a loucura, deixar de lado a Razão, essa tão evidente no Arcadismo. Possuindo essa mistura de características entre árcade e romântico, é considerado um poeta pré-romântico.
Thais Deamici

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Triunfo da Morte

Mais uma leitura feita. Esta foi o “Triunfo da morte”, de Augusto Abelaira, nascido em Portugal, em 1926. O livro data de 1981.

Como meu colega de Letras Levi acredita, eu também penso que uma leitura vale a pena e é boa quando podemos relacioná-la com outras, quando nos fazem pensar em questões antes impensadas, e ao menos no meu caso, quando provoca a vontade de escrever sobre tal.

E exatamente assim aconteceu com O triunfo da morte.

Apesar do título nos parecer à primeira vista um pouco mórbido, o livro é cômico e ao mesmo tempo filosófico. Características que me fizeram recordar (porque recordar é lembrar com o coração) de Viagem ao Redor do meu Quarto e de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Aliás, vários outros aspectos tornam essa obra semelhante a estas outras duas que citei. A ver algumas delas:

· A falta de linearidade narrativa, afirmada claramente pelo autor, no seguinte trecho:

Repito, repetirei tantas vezes quantas as necessárias, não sigo em linha recta, sinto-me incapaz. Ainda que quisesse, e uma certa embalagem de ordem estética não me obrigasse a graduar a intensidade narrativa, a abrir parênteses, a adiar certas revelações, estimulando assim a tua curiosidade, não saberia seguir direito. Consciente embora de tudo quanto vou dizer, jogo comigo próprio como se tudo ignorasse.” (p.116)

· O ato filosófico de refletir e problematizar questões cotidianas.

· O invento do sumo de burujandu e da carne de pterorassauro da onde parte inúmeras explicações para a variação do comportamento humano, como por exemplo, o motivo pelo qual os homens se atraem pelas mulheres e vice-versa.

Escrevendo dessa forma, parece absurdo, mas em cada afirmação de teoria há uma explicação que a justifica. E creia-me, é capaz de convencer-nos.

· O narrador fala a todo momento com o leitor. Praticamente um diálogo.

Todas essas questões citadas acima são também evidenciadas, como já dito d’antes, em M.P.B.C., de Machado de Assis, e em V.R.M.Q., de Xavier Maistre. Porém, no que se refere à morte, Triunfo me fez lembrar a obra de Saramago, Intermitências da morte. Abelaira questiona a morte, a problematiza e dramatiza.

Obviamente, apesar de relacionar o livro com outras obras, tem bem recortada a sua singularidade. Um exemplo disto é a nota do editor, onde é explicado como foi escrito o livro.

Este editor conta que encontrou fitas cassetes por aí. Ouviu-as e editou aquilo que escutou, tal e qual, exceto os ruídos. Simples assim.

Claro que aqui oferece ao leitor as suas hipóteses sobre origem e conteúdo do texto. Curiosamente nota-se o mesmo perfil literário do autor. Por que será? Sentiu-se ele influenciado, ou trata-se da mesma pessoa?

Bueno, queda aí mais uma sugestão de leitura.

Sá da Costa Editora

2ª edição – julho de 1981

Este é o Abelaira.

Thais Deamici

terça-feira, 29 de junho de 2010

Infância


Este é o título do livro de Graciliano Ramos, em que ele relata a sua própria. É uma obra de memórias, sob a perspectiva infantil de Graciliano. Seus pensamentos, suas impressões, a primeira lembrança que ele guarda de todas as suas lembranças, os traumas, explicações de seus costumes e comportamento atuais, seu contato com a literatura, seu sofrível processo de alfabetização, está tudo neste livro. Aliás, lendo-o ajuda-nos a entender as suas obras literárias tão conhecidas como Vidas Secas, Angústia, São Bernardo...

É bem verdade que a sua leitura exige concentração, pois GR, apesar de expressar-se de forma direta, trabalha bastante sua escrita. Poderíamos dizer que ela não é tão simples assim. Eu confesso que somente na segunda leitura é que me deliciei e iniciei a minha apreciação. Até então sentia dificuldades em ler, por exemplo, o que estava no pretérito imperfeito. Isto me distanciava da leitura. Ao contrário do que acontecia quando um fato era contado no perfeito. As suas observações sobre o que sente e o que pensa quando criança são encantadoras e assim a gente recorda da diferença gigante que existe entre o mundo infantil e o mundo adulto. O quanto este primeiro é mais cândido e lógico.

Infância é uma narrativa incrível. Enquadra-se nas características do Romance de 30, apesar de ter sido escrito em 1945. Há uma crítica social sobre as regiões do Brasil e a valorização do vocabulário local, é o neorrealismo.

O restante eu deixo para que vocês descubram e saboreiem. Aqui estão dois trechos da obra.

Meu pai e minha mãe conservaram-se grandes, temerosos, incógnitos. Revejo pedaços deles, rugas, olhos raivosos, bocas irritadas e sem lábios, mãos grossas e calosas, finas e leves, transparentes. Ouço pancadas, tiros, pragas, tilintar de esporas, batecum de sapatões no tijolo gasto. Retalhos e sons dispersavam-se. Medo. Foi o que me orientou nos primeiros anos, pavor. p.14 Infância

Aos nove anos eu era quase um analfabeto, e achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos. Muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos, felizes, para mim eram perfeitos: andavam limpos, riam alto, frequentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco. p. 205 Infância

Fórum Permanente do Livro e da Literatura

TERCEIRA QUARTA-FEIRA DO MÊS, ÀS 18h30min
NA BIBLIOTECA P. M. MONTEIRO LOBATO

terça-feira, 22 de junho de 2010

Curso de Gestão e Projetos Culturais

A Prefeitura de Gravataí, através da FUNDARC, em um evento organizado pela Libra Produções, oferece o Curso de Gestão e Projetos Culturais, que enfoca diversos temas, abordando as principais técnicas de formatação e gestão de projetos culturais e as leis de incentivo à cultura.
O curso será ministrado pelas professoras e produtoras culturais Dedé Ribeiro e Luiza Pires.

Quando? Nos dias 5, 6 e 7 de julho de 2010.
Que horas? das 18h30min às 22h30min.
Onde? Na FUNDARC. Rua Antônio Donga, nº 15, centro de Gravataí.

As inscrições podem ser feitas na sede da FUNDARC ou pelos telefones (51) 3488-5205 e e3484-5323

VAGAS LIMITADAS!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

Fórum Permanente do Livro e da Literatura

Tela La Lectrice - "A leitora", óleo de Jean-Honoré Fragonard (1770-1772)

Na próxima quarta-feira, dia 23, teremos o primeiro Fórum Permanente do Livro e da Literatura, na Biblioteca P. M. Monteiro Lobato, às 18h30min. Será um espaço destinado a discutir, a construir e a debater questões que os envolvam.

Mas, na hora de encaminharmos o convite é que surgiu a real percepção do quanto o assunto é abrangente, partindo dos próprios conceitos de livro e literatura.
O livro é um trabalho literário, científico ou outro. É um produto intelectual, mas também um produto de consumo, um bem e sendo assim, envolve sua produção - impressão, ilustração, distribuição... É um produto comercializável que inclui editor, editora, livreiros, livrarias. E, no momento em passa a ser um produto organizado, catalogado em um "centro de saber", abrange os bibliotecários. Esta rede, citada de maneira bem simplista, certamente é muito maior.

Já, como afirma o crítico literário Afrânio Coutinho, em Notas de teoria literária, "A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista..." O trabalho do autor, na literatura, compreende estética, efeito emocional, sentido metafórico e um valor etéreo. Ela estabelece uma relação alquímica entre o leitor e a obra.

Portanto, se te identificaste, se estás envolvido de alguma forma com o livro e a literatura, o convite é extensivo a ti.

Emilena Denicol Ramos

sábado, 19 de junho de 2010

E ontem foi um dia de luto


Vai-se Saramago ao outro lado da vida, a morte vem buscá-lo. E o desejo da gente é de que ele não morresse, mas Saramago já estava com 87 anos e vinha sofrendo de várias doenças... E mesmo assim, o desejo da gente vai ser sempre de não querer que as pessoas morram. Mas e se ninguém mais morresse? E se fosse possível realizar esse desejo intrínseco no ser humano? Pois Saramago escreve essa história, a história de um país fictício em que a morte, por querer castigar aos homens e fazer com que eles percebam o seu real valor, decide parar com seus trabalhos: No dia seguinte ninguém morreu. Mas não foi só no dia seguinte, isso seguiu por oito meses. Intermitências da morte é o nome desta obra maravilhosa.
Geralmente escrevo aqui no blog sobre o último livro que li e gostei. Obviamente ia escrever sobre este também, mas com a morte de Saramago juntamente com outra grande coincidência que ocorreu nesse 18 de junho, este texto é diferente dos outros.
A grande coincidência foi que eu e um grupo de colegas da faculdade ficamos responsáveis pela apresentação deste livro para a turma. Essas datas de apresentação são marcadas com meses de antecedência. E justo, foi cair no mesmo dia de falecimento do nosso queridíssimo Saramago. Uma super ironia!
E ironia é o que não falta nas suas obras, aliás, é uma constante nesta, em especial. Saramago retrata um sistema social de forma muito cômica. Faz verdadeira piada sobre a igreja, a polícia, a máphia (que sempre surge aproveitando-se das necessidades sociais), as funerárias (que passam a viver do enterro de cachorros, gatos e pássaros) e também sobre a televisão, a mídia.
É tão piadista sua crítica, que a impressão que dá é a de estarmos lendo algo que acontece só na ficção, que só pode ser história inventada. E na verdade não é. Ele fala é do sistema em que vivemos, que parece tão ridículo...
Lembro do dia em que peguei o livro na faculdade e voltei no ônibus lendo. Incrível a intensidade que foi, quando vi já estava em casa. O Saramago escreve o que tem que escrever e explica, sem ser, de maneira nenhuma, redundante. É como se a explicação fosse imprescindível, mesmo já tendo entendido o que ele quisera dizer. O que pode ter me dado a sensação de intensidade são os períodos longos e a sua pontuação um tanto caótica. Mas, veja bem, caótica aqui foi utilizado, simplesmente porque ele não a usa de forma convencional, mas como ele acha que deve usar. Por exemplo, nos diálogos, é perceptível quando é um interlocutor ou outro porque ele os diferencia com letra maiúscula. Não tem nada de travessão, tudo vírgula. E ponto final é raro, mas tem!
Mas quem sabe sintaxe, sabe ler Saramago, e vice-versa.
É, o tema da morte está sempre vivo! (el paradoxo) E assim o está mais uma vez nesta obra de Saramago, inclusive humanizando-se, pois a morte apaixona-se pela vida.
Posso terminar o texto dizendo, ainda bem que morremos. Mesmo que não nos acostumemos, isso é o natural e, antes disso, necessário!


Thais Deamici

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre um "comunista libertário"

Nesta sexta-feira, a literatura contemporânea perde um dos seus maiores nomes, o escritor português José Saramago. Faleceu aos 87 anos, em sua casa nas Ilhas Canárias.
O Prêmio Nobel de Literatura 1998, nasceu em novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga. Filho de agricultores sem terra que imigraram para Lisboa, abandonou a escola aos 12 anos para receber formação de serralheiro, um ofício que exerceria durante dois anos. Depois de um primeiro romance em 1947, "Terra de pecado", esperou 19 anos para publicar seu segundo título, "Os poemas possíveis". Trabalhou na área administrativa, em editoras e colaborou com vários jornais. Seu segundo romance, "Manual de pintura e caligrafia", foi publicado em 1977. Em 1982, alcançou a celebridade com "Memorial do convento", um romance romântico, ambientado no século XVIII. A obra "Ensaio sobre a cegueira" foi levada às telas em um produção hollywoodiana, filmada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, em 2008. Neste mesmo ano, publicou "A viagem do elefante", seguido, em 2009, por "Caim", que descreve de forma irônica o relato bíblico do assassinato de Abel por seu irmão Caim. Durante a apresentação desse livro, Saramago, que descrevia a si mesmo como um " comunista libertário", causou novamente polêmica ao classificar a Bíblia de "manual de maus costumes". Atualmente, estava preparando um livro sobre a indústria do armamento.
José Saramago recebeu, também, um prêmio Camões - a mais importante condecoração da língua portuguesa e publicou cerca de 30 obras: romances, poesias, ensaios e obras teatrais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Disposição anímica


Estávamos eu e a Emilena conversando sobre o que postar no blog. É um compromisso mantê-lo atualizado e sempre há o que postar. O que falta muitas vezes é tempo. A minha vontade era a de escrever sobre disposição anímica. Aí fui pesquisar pra poder explicar de forma mais teórica. Só que de tanto ler mil coisas e ver que o texto ficaria muito teórico, decidi postar um poema do Mario Quintana que traduz de forma poética a tal disposição anímica na literatura, que nada mais é que a sensação que temos quando lemos algo que nos abastece, ou que exprime exatamente o que estamos sentido, como se o texto tivesse sido feito especialmente pra nós.

Os poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana
(Esconderijos do Tempo)
http://www.estado.rs.gov.br/marioquintana/

Thais Deamici

segunda-feira, 31 de maio de 2010

DIA 05 DE JUNHO - TODO PRIMEIRO SÁBADO DO MÊS - 15H - NA PRAÇA DO QUIOSQUE

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Terra Papagalli

Descobrimento do Brasil, 1956

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)


Quem faz Letras sabe da realidade deste curso que exige muita leitura. Além da literatura também há a teoria sobre o que lemos. Sem citar linguística, português, prática de ensino...

Pois bem, tudo isso pra dizer que nem sempre consigo ler as obras pra estar em dia com as aulas. Muitas vezes a professora antecede o meu contato com o próximo livro, mas em seguida vou em busca pra pôr em prática a leitura.
Assim aconteceu com o Terra Papagalli, livro do Torero e do Pimenta.
Trata-se de uma paródia sobre a colonização do Brasil, baseada nos cronistas do descobrimento e em registros oficiais históricos.
Este livro me divertiu muito. Minha mãe me ouvia rir e rir e dizia: - o que tu tá lendo? Depois quero ler também!!!
O fio condutor é a história da vida de Cosme Fernandes, de quem se tinha pouco registro, o que facilitava a liberdade de “ficcionar”. Tanto é que 70% é ficção e os 30% restantes verdade. Aliás, já o título traz a mensagem de comicidade: Narração para preguiçosos leitores da luxuriosa, irada, soberba, invejável, cobiçada e gulosa história do primeiro rei do Brasil ou Terra
Papagalli.
Mas, agora, esclarecendo o porquê daquela explicação sobre muitas vezes eu não ter tempo de ler as obras. O que aconteceu com este livro foi diferente...
A professora Sueli Tomazini e alguns colegas apresentando, comentando o livro, faziam com que a minha imaginação viajasse e materializasse tudo o que elas iam contando.
A impressão que eu tinha era de que eu ia abrir o livro e dele saltariam cobras e lagartos, índios e portugueses, penas, penachos e pelos.
Eu, adulta, com 25 anos na cara, me deixando levar pela fértil imaginação. E isso devido à tamanha sensação provocada em mim, só de escutar sobre a obra.
Quando chegou o momento de abrir o livro que aluguei na biblioteca, e me dei conta de que só havia letras e que nada, nem bicho, nem nau, nem índio sairiam do livro materializados, como eu havia imaginado, senti uma pequena decepção. Que coisa boba.
O que eu esperava? Foi como se eu tivesse caído no mundo real. Vejam que peça as letras me pregaram! Que reboliço!

Mas ó, lendo Terra Papagalli fui capaz de sentir todas aquelas emoções de novo. As letras, mesmo sozinhas, deram conta. E como!!!


Tá aí mais uma dica. Divirtam-se.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sarau da Aldeia

Gravataí tem tradição de serestas e de saraus.

Desde inícios do século XX, famílias se reuniam para curtir chorinho, petiscar, ouvir e recitar poesias. Antigas famílias, como os Dutra (do Octávio Dutra, sim!) eram cantantes, seresteiramente cantantes, e curtiam seus saraus. Mas, dessa época só sei por ouvir dizer.Viver mesmo o sarau, foi em fins dos anos cinquenta, na casa do Dr.Luis, o Bastos do Prado, hoje nome de rua.
Dr.Luis era uma lenda. Humanista, comunista, elegante por dentro e por fora. Pra mim, adolescendo, simbolizava o "fino do fino". Casado com a poetisa Maria Dinorah. Juntavam utopia e carisma a uma nova visão de mundo.
Na casa deles, ao lado do consultório, reuniam-se os amigos, em noites de versos e de prosa, de músicas e de salgadinhos -verdadeiro reduto cultural.
Ali cantavam Dorival Caymi, recitavam Guilherme de Almeida, discutiam Sartre. Pra mim, aquela casa simbolizava o que havia de mais sofisticado na vida. Preferia estar lá, entre cantorias e declamações e discussões sobre política, nacionalismo, literatura, a qualquer outro programa, como ir ao cinema do Itamar, ou andar de bicicleta na "pracinha"(sim, a gente podia andar de bicicleta na praça de noite - e sem perigo nenhum).
Nos saraus da casa do Dr.Luis, entre umas e outras, era gestado o verdadeiro progresso intelectual da cidade, como a Sociedade Cultural Amigos de Gravataí e a criação do Gensa, por exemplo.
Tudo por diletantismo, no voluntariado, sem disputas, com a elegância das pessoas verdadeiras. Como o Dr.Luis e seus amigos, como meu pai...

Texto escrito por Rosemary Kroeff de Faria Silva, a nossa professora Rosinha

terça-feira, 18 de maio de 2010

Festa do Divino Espírito Santo


"A festa tradicional do Divino Espírito Santo, que ocorre no período de Pentecostes, é uma marca da etnia açoriana na região em que este povo se tenha fixado.
O culto ao Divino, como parte da Trindade, é mais antigo que a festa, pois, segundo uma lenda, a festa foi introduzida em Portugal pela rainha Isabel, esposa do rei Dom Dinis, no século XIII.
Esta festa tornou-se, por tradição, uma festa popular carregada de sentido simbólico. À pomba, principal símbolo cristão que representa a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, somou-se a coroa, representando a realeza.
No continente português, a festa foi para a ilha da Madeira, para os Açores e daí para o Brasil, onde espalhou-se por todos os estados.
No RS, com forte povoamento açoriano, é expressiva a sua permanência e sua força tradicional, como vemos em Gravataí que, depois de tantos anos adormecida na memória do povo, eis que se renova e está na sua nona edição. Este resgate vem, a cada ano, ganhando sustentabilidade."
Célia Silva Jachemet - historiadora

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Viagem ao redor do meu quarto

Quarto, de Van Gogh

Neste ano de literatura intensa, tenho me deparado com uma grande quantidade de livros. Na faculdade, três, das quatro cadeiras que curso, são literatura, a quarta matéria é o estágio com o ensino médio, em que eu dou aula, adivinhem de quê? de literatura - Romantismo. E no meu trabalho, à tarde, na FUNDARC, estou no departamento literário. Não tenho do que me queixar, amo os livros.

De tanto ler e ler, ando com a imaginação aguçada e com uma super produção interna de pensamentos, reflexões e até mesmo epifanias.

Um dos livros que me fascinaram bastante foi Viagem ao redor do meu quarto, de Xavier Maistre. E é sobre ele e sua obra que escreverei um pouquinho.

Xavier Maistre, nascido na Sabóia, no século XVIII, negava-se a ter nacionalidade francesa, por isso foi mudando-se para outros países vizinhos. A partir da experiência de ter sido preso durante mais ou menos um mês e meio, escreveu este livro. O mesmo período que ficou preso é o tempo de sua viagem dentro do seu próprio quarto.

O livro é pura filosofia. O simples trajeto da cama à escrivaninha é um longo caminho de aprendizado. Conta da convivência com seu criado Joannetti, durante anos, e também sobre sua cadelinha Rosina, a quem considera mais que a muitos amigos.

Sem sair do próprio quarto encontra objetos e passa por situações que o levam a filosofar sobre a morte, sobre a amizade, sobre o magnetismo, sobre o acaso, sobre a sociedade e suas injustiças... é uma literal viagem pelo quarto.

Aqui vai um trechinho que eu gosto bastante. Aliás, é difícil escolher, porque eu não dispensaria nem uma linha do livro.

Descreve o momento em que estamos acordando:

Estamos bastante acordados para percebermos que ainda não o estamos, e para calcular de modo confuso que a hora dos negócios e das coisas aborrecidas está ainda na ampulheta do tempo.

Sobre a sua relação com Rosina:

...ainda não houve entre nós a menor frieza; ou, se surgiram entre mim e ela algumas rusgas, confesso de boa fé que a culpa maior tem cabido sempre a mim, e que Rosina sempre deu os primeiros passos para a reconciliação

Sobre a morte de um grande amigo:

A destruição dos seres e todas as desditas da humanidade não valem nada diante do grande todo. A morte de um homem sensível, que expira no meio dos seus amigos desolados, e a de uma borboleta que o ar frio da manhã faz perecer no cálice de uma flor, são dois momentos iguais no curso da natureza. O homem é apenas um fantasma, um vapor que se dissipa nos ares...

Mas estas são amostras bem pequenas, estes temas são todos bem desenvolvidos. A sua mais marcante teoria é a divisão humana entre a alma e a besta.

Dá como exemplo vários fatos comuns à nossa rotina que retratam essa divisão da que somos compostos. No campo da arte faz a comparação entre duas delas: a pintura e a música, e defende que a música é capaz de ser produzida, tocada, de forma maquinal, somente utilizando a parte “besta” do homem, enquanto a alma sai por aí. Mas que pintar exige a sua alma presente à sua besta, a primeira necessita comprometer todas as suas faculdades.

Maistre influenciou muito a literatura de Machado de Assis. O livro Memórias póstumas de Brás Cubas tem grande semelhança na maneira narrativa nada linear, na filosofia, e nas teorias que traz. Obviamente Machado entra com suas pitadas pessimistas.

Viagem ao redor do meu quarto é um livro pra quem quer filosofar.

Tá aí a dica, eu adorei.

Thais Deamici.



sexta-feira, 7 de maio de 2010

CONTO do Projeto Janela Literária

O Projeto Janela Literária, apesar de ter findado suas aulas presenciais, terá seguimento com a construção de um conto pelos seus participantes. Esta história já tem seu início pronto, e sua continuidade será dada post a post.
Vamos poder aconpanhá-la inteira aqui ao lado.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Janela Literária

O Projeto Janela Literária iniciará nesta quarta e quinta-feira (05 e 06 de maio), na Biblioteca Municipal Monteiro Lobato.

Através do link, tenha acesso a mais informações. http://www.gravatai.rs.gov.br/noticias/noticias1.php?id=141480

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O melhor da vida em duas horas e meia

Vale a pena este texto.
Martha Medeiros - ZH de 28 de abril de 2010

O melhor da vida em duas horas e meia

Eu já havia assistido ao espetáculo Alegría, que esteve excursionando pelo Brasil dois anos atrás, mas escutei comentários de que o Quidam era ainda melhor, então me dirigi ao Cirque du Soleil com bastante expectativa, o que é preocupante, já que expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Mas a expectativa não só se cumpriu, como deu diversas piruetas sobre si mesma.

Em duas horas e meia, as coisas mais importantes da vida desfilaram diante de uma plateia extasiada, provocando uma transcendência essencial nesse mundo materialista. De minha parte, senti como se tivesse entrado em um sonho. Meu país das maravilhas coube dentro de uma tenda de circo.

Afinal, que coisas mais importantes da vida são essas?

1) Fantasia: desconectar-se do real e acreditar no impossível.

2) Humor: enxergar o lado divertido de tudo o que é sério.

3) Confiança: nossa integridade subordinada ao autocontrole de alguém, nossa capacidade de brilhar dependendo do que é extraordinário no outro.

4) Beleza: o capricho e o bom gosto revelado em todos os detalhes, do figurino à música, do cenário à iluminação. E gestos nunca rudes, a vida sem peso, fluida, lânguida como só os invertebrados parecem conseguir.

5) Infância: o resgate do encantamento, da crença no que é mágico, do medo que excita, do sorriso verdadeiro de quem nasceu com vocação para brincar.

6) Poesia: cada silêncio, cada instante, cada cena em busca de um só objetivo, o de provocar impacto e emoção, mesmo sem o uso de palavras.

7) Erotismo: o reconhecimento de todas as possibilidades do corpo, a sedução sem vulgaridade.

8) Movimento: negar-se à paralisia, surpreender com a presença onde não se é esperado, habituar-se a um ir e vir sem lógica, testemunhar os dias acontecendo.

9) Arte: teatro, dança, cinema, música, fotografia, literatura, os canais de expressão de tudo o que nos identifica e nos transporta para o lado lúdico da existência.

10) Doação: compartilhar o que se sabe e o que se sente com os outros. Há quem também chame de amor.

*

Você pode não concordar com a minha lista, mas terá que fazer malabarismo para me convencer a mudar de ideia a respeito do que é que importa de fato nesta louca vida.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

SERESTA NO CASARÃO

Quando? Dia 29/04/2010
Onde? No Casarão dos Bina - Sede da FMMA (atrás do Intercity Hotel)
Grupo Regional Luis Palmeira
Repertório: samba e choro na voz de Marília Benitez

sexta-feira, 23 de abril de 2010

BIBLIOCINE

“Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado.

Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada...”

Trecho do conto O enfermeiro, de Machado de Assis


O Enfermeiro, uma ótima adaptação de um dos melhores contos do genial Machado de Assis (1839-1908), que conta com grandes interpretações dos atores Paulo Autran e Matheus Nachtergaele será apresentado na Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, no dia 27 de abril, às 20h.

Conheça a história de Procópio, um rapaz formado em Teologia que vai a uma pequena cidade no interior cuidar de um velho rico, Coronel Felisberto, que além de doente, possui um comportamento agressivo e intolerante. Movido parte pelas virtudes recomendadas pelo vigário local, mansidão e caridade, e parte pelo bom ordenado, o enfermeiro resiste a xingamentos e bengaladas, até que um dia....


terça-feira, 20 de abril de 2010

Novo nome pro Sarau!

O Sarau, mais conhecido por Sarau do Museu, receberá outro nome. Por, originalmente, ter acontecido no Museu Municipal Agostinho Martha, este serviu de referência, por muito tempo, para o Sarau.

Porém, agora, o Sarau quer assumir sua própria identidade. O local do evento cultural passou a ser itinerante, por isso, independente do lugar, o Sarau manterá sua característica.

Mande sugestões de nomes!!! Contamos com a colaboração e imaginação dos nossos leitores.

Pode comentar aqui, no próprio post, ou então mandar um e-mail (ou quantos quiser) para fundarc.literario@yahoo.com.br !

A intenção é de, no próximo mês, estrear o Sarau já batizado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

GRANDE TROCA-TROCA DE LIVROS


No dia 23 de abril comemora-se o Dia Internacional do Livro e no dia 25 de abril a Biblioteca Pública Monteiro Lobato estará completando 44 anos.

Para marcar estas datas, a Biblioteca Pública promoverá um grande troca-troca de livros. O objetivo é fazer com que os livros circulem entre as pessoas interessadas, fazendo um grande movimento pela leitura e democratização do livro.

Se você tem interesse em participar desta atividade, separe os livros que deseja trocar e vá até a Praça do Quiosque, no dia 23 de abril das 9h às 18h.

Os livros a serem trocados deverão estar em bom estado de conservação e só não serão trocados livros didáticos.

UMA ROSA POR SÃO JORGE, UM LIVRO POR CERVANTES

O Dia Internacional do Livro, instituído pela Unesco, internacionalizou uma antiga tradição da Catalunha, onde, em 23 de abril, comemora-se o Dia de São Jorge – padroeiro daquela província espanhola – e recorda-se o falecimento do escritor Miguel de Cervantes – 23 de abril de 1616. Neste dia, de acordo com o costume catalão, os livreiros entregam uma rosa com cada livro vendido e tornou-se tradição presentear livros e rosas. O lema é: “Uma rosa por São Jorge, um livro por Cervantes”.

No dia 23 de abril, será ofertada uma rosa a quem participar do troca-troca de livros, mantendo esta tradição.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Projeto Janela Literária

Este projeto é um conjunto de oficinas que proporcionará, aos seus inscritos, a aprendizagem da utilização tecnológica da informática a serviço da literatura e da escrita.
Uma parceria entre a FUNDARC, Assessoria de Políticas Públicas para a Juventude e AIDTEC (Associação Internacional para Desenvolvimento Tecnológico) é quem proporciona esta atividade.

O objetivo é aproximar os jovens da literatura, da escrita, da leitura na internet, utilizando o Telecentro da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, para a criação de blogs, com textos como diários virtuais.

As inscrições podem ser feitas na própria Biblioteca Municipal ou então pelo telefone 3488-9200.